30.11.09

the virgin suicides


de Sofia Coppola. mais um clássico que só agora vi.. na verdade ainda o estou a digerir, não sei bem o que pensar. gostei muito da história, interessante e emocional e apaixonei-me completamente pela fotografia, há um grande cuidado em relação a adaptar as temperaturas de cor a cada situação específica.
o que não me agradou foi a falta de densidade das personagens; pode ser só uma impressão, mas senti que falta dramatismo ao filme. e a verdade é que "conhecemos mal" as personagens, ou pelo menos foi a minha sensação. pode ser propositado, é certo, dar a sensação que tudo é natural - mesmo em questão ao suicídio. no entanto, vai um pouco contra aquilo que eu penso e espero ver de determinadas situações e isso, para mim, faltou nesta história. mas para quem (ainda) não viu, aconselho vivamente! além de que foi o 1º filme da Sofia, é importante salientar. tem uma banda sonora irrepreensível, apaixonante até :)

28.11.09

ver filmes, além de cultural, ocupa-me o pensamento durante umas boas horas, entre o visionamento e a digamos, "digestão" do mesmo. ver filmes é muitas vezes um refúgio, seja na loucura de um Trainspotting, na crueldade de um A clockwork orange ou no Amor de um Eternal Sunshine of the Spotless Mind.

uma nova dimensão surge na nossa frente e por longos momentos somos aquelas pessoas, aqueles gestos, aquelas situações. não nos sentimos sós.

é por isso que tento mergulhar o mais fundo possível...
hoje sou só eu e os meus pensamentos. exteriorizar soa-me agressivo e sem fundamento. hoje sou só eu, os pensamentos, as não-palavras.. ou se quiser, numa palavra: saudade.


e às vezes parece-me que sou só eu há muito tempo..

Geneviève


de Michel Brault. vi ontem na aula de análise de filmes e confesso que fiquei com curiosidade de ver mais deste realizador. este filme parece-me ser uma metáfora da inocência e a perda da mesma, aos olhos de duas adolescentes, que formam um triângulo amoroso com um rapaz. os planos são de uma simplicidade e beleza sublimes e os marcados contrastes apelam aos pormenores. aconselho todos a verem, é um filme canadiano :) Geneviève fascina-nos pela sua beleza e extrema doçura.

deste realizador vimos ainda The Raquetteurs, um filme classificado como "cinema directo" (ainda que na época em que foi rodado ainda não houvesse essa distinção), na medida em que foi feito um grande esforço de filmar de forma descomprometida, quase como reportagem/documentário (o filme retrata uma corrida entre pessoas que usavam raquetes nos pés; ao que me pareceu, era um "jogo" muito popular em determinada zona do Canadá).

apesar de ter gostado muito do trabalho de Michel Brault, na internet tem mesmo muito pouca informação sobre ele e os seus filmes, o que é uma pena.

27.11.09

"who need reasons when you've got heroin?"


Trainspotting de Danny Boyle. é vergonhoso, mas a verdade é que só o vi ontem; tanto me chatearam a cabeça que a curiosidade ficou aguçada e vi :) ficou a ser dos meus filmes top, vibrante é a palavra certa. na minha visão, é essencialmente um filme sobre a amizade, pautada de (quase) todos os tipos de loucura possíveis.

26.11.09

us..



and them.

buffalo 66


de Vincent Gallo. a nível técnico não é nada de extraordinário, mas achei interessante a estranheza dos contra-planos. a história éi qualquer coisa, é capaz de nos irritar, fazer rir ou até mesmo chorar.. gostei do que provocou em mim. fiquei com curiosidade de ver mais filmes dele. achei também aquela cena do "bar das dançarinas exóticas" muito bem filmado... ou pelo menos, de forma arrojada. e dá-me a sensação que por vezes o filme tem uns toques de experimentalismo.

25.11.09

(+) do mesmo

saber que afinal não vais sair do país deixou-me com um estranho sentimento. é triste pensar que podíamos ter tido um Verão e um Outono maravilhosos e que cada um foi para o aconchego da sua casa, sem dar luta. penso que foi uma má desculpa e sinto-me mal por ter achado que estavas a ser correcto comigo. se calhar até foste correcto demais. porque não te deixaste levar? como eu fiz ao longo deste tempo? isso que foste tu que me ensinaste! posso até parecer uma obcecada, mas acho que simplesmente não consigo lidar com isto. os sentimentos não foram para fazer sentido, mas aqui a falta de lógica perturba-me. não tem lógica te teres afastado de mim, não tem lógica não termos ficado juntos até não dar mais, não tem. as coisas não estavam mal e ambos sabemos disso. tínhamos uma relação pouco vulgar, é certo. mas ali, reinava harmonia. sim, ia-me algumas vezes abaixo, mas com o tempo aceitei e por mim andava com isto para a frente, apesar de ainda hoje não saber o que é. mas não importa, certo? mais uma vez, como me ensinaste. não me importava estar pouco tempo contigo. pouco ou muito, era contigo. sim, não és o único homem no mundo. mas para mim, eras o the one and the only. sim, sei que nos vamos encontrar de novo e sei que o que tenho dentro de mim não vai desaparecer assim tão rapidamente. mas também sei que neste momento não me importa se me acham vulgar, eu quero é curtir a vida. tu ensinaste-me e fiz disso o meu modo de vida. sou mais genuína (?) que nunca porque me ensinaste e cada vez me importo menos com o que os outros pensam. já não me importava muito, agora ainda menos.. sou aquilo a que se chama de "livre", apesar de eu considerar tal conceito utópico. tinha muito para te dizer, uma parte está aqui. a outra, que não consigo exteriorizar, fica para quando nos cruzarmos. queria deixar de escrever sobre ti, mas parece-me que só assim é que posso continuar a manter o meu equilíbrio, que apesar de tudo é pouco..

resta-me as nossas memórias..e as nossas músicas, que apenas para mim, serão sempre nossas.

15.11.09

atonement


de Joe Wright. tanto li e tanto me falaram do filme que lá resolvi vê-lo. e a verdade é que me emocionei e me apaixonei. arrisco-me a dizer que será um dos melhores filmes rodados recentemente. há um cuidado com os planos e com o seu tratamento..fiquei também surpreendida com os pormenores sonoros (a respiração, o cigarro a queimar, etc), que deram muita força às cenas. é um filme poético e na minha opinião muito bem conseguido, a todos os níveis.

13.11.09

frames











momentos e mais momentos.
gosto mesmo de vocês!
. Nikon FM2
. Rolo p&b 1600 ISO

antes de ir dormir:

12.11.09

11.11.09

pierrot le fou


de Godard. fiquei impressionada com o filme, foi o auge da desconstrução narrativa! os cenários são fantásticos e a falta de lógica em algumas situações chega a irritar, para logo a seguir nos deliciar. sinto que muita coisa foi ali feita de improviso (o que me parece habitual em Godard) e tem algumas referências a filmes anteriores (filmes dele próprio). não é o meu favorito, mas parece-me ser aquele mais representativo do movimento Nouvelle Vague. a meu ver, Belmondo e Karina não são grandes actores, mas tem um carisma muito particular, o que me faz estranhar, para logo depois me entranhar em toda aquela atmosfera. notáveis as utilizações de filtros de cor em planos da primeira parte do filme, com objectivo de expressar estados de espírito. mais uma vez, uma ode ao cinema, como em Le Mépris.

9.11.09

sunrise: a song of two humans


de Murnau. que filme lindo! emocionei-me imenso - ainda estou emocionada. é provavelmente o melhor filme mudo que já vi.. sem excesso de teatralidade e com as emoções todas à flor da pele - uma bela história de amor. foi também uma surpresa, visto que deste realizador ainda só tinha visto o Nosferatu. :]

8.11.09

é difícil


preferia saber em que dia partes para longe. isto porque das últimas vezes que estive contigo, senti que era uma despedida e isso é demasiado doloroso. abracei-te, estavas encharcado pela chuva. afagaste-me os cabelos e ofereceste-me aquele teu olhar carinhoso que sempre admirei. sim, já passaram quase quatro meses. mas não houve um único dia em que tenha deixado de te querer. ontem, enquanto tentava adormecer, quis escrever-te uma carta de amor; não temos nenhuma, é verdade; ficou muita coisa aqui dentro, quem me dera ter-te abraçado mais e com mais força; aliás acho que agora é que percebo o quanto és para mim. agora, que já não te posso abraçar. agora, que te vais embora. não sei quando, mas vais. desejo não me esbarrar contigo na rua, para não ter de novo a sensação de despedida que senti das últimas vezes. vejo-te feliz longe daqui e desejo esbarrar-me contigo lá ou aqui e nunca mais me afastar. surgem outras pessoas na minha vida, mas parece que há sempre algo cá dentro que se acende em tua memória. às vezes penso que nunca ninguém te vai substituir; mas sou uma miúda, não é? "tens uma vida pela frente". posso ter, posso não ter. já tu, pareces ser a certeza aqui dentro. sim, talvez te escreva uma carta.

da sempre tua,
Rita


[desenho gentilmente cedido por Rosário Pinheiro]

7.11.09

the cabinet of Dr. Caligari


de Robert Wiene. tive a oportunidade de visionar esta película em forma de filme-concerto e acho que se assim não fosse, teria adormecido. os filmes mudos são muito interessantes, mas tem uma dose de teatralidade exagerada e alguns enredos entediantes; por isso mesmo, porque os actores só se podiam exprimir através da linguagem corporal. fiquei abismada com os cenários, muito à frente mesmo (chegaram-me a lembrar Tim Burton).. e a narrativa é mesmo muito interessante, os filmes de terror antigos têm muito mais piada do que os que se fazem agora, pelo menos na minha opinião. é um filme de referência!

vi também mais curtas-metragens da Agnés Varda (no âmbito do IRI) e só digo que tenho muita pena de não a ter "descoberto" antes.. demonstra-nos uma vida preenchida e uma alma singular no seu todo. aconselho a todos vivamente :] fica aqui uma das curtas pela qual me apaixonei, com Anna Karina e Godard:

beloved Porto





cidade esquecida, escura e moribunda.
sempre amada.

:')

4.11.09

ironside


o meu alerta de mensagem, muahahah xD

3.11.09

Agnés Varda



a ver também: Ô saisons, Ô chateaux e Du cotê de la cote.

1.11.09

november rain


hoje foi assim :) bem vindo, Novembro.

vivre sa vie


de Jean-Luc Godard. quanto mais vejo filmes dele, mais me surpreendo com a estranheza dos diálogos. é interessante fazer um esforço dentro de palavras que inicialmente me parecem lógicas, mas que na verdade não o são. a Anna Karina está linda mais uma vez e ou é de mim, mas sinto que muitas cenas ali foram feitas por improviso; isso agrada-me e desagrada-me do mesmo modo. contudo, gostei do filme; Godard aborda sempre temas que me interessam, por mais abstracto que seja.

avizinha-se uma boa semana :)