31.3.10

iklimler

de Nuri Bilge Ceylan. mais uma vez um filme que saiu com o Público; desta vez confesso que provavelmente nunca o conheceria, sem ser desta forma. ao início é estranho as personagens falarem turco, por ser uma língua que me é totalmente desconhecida: isso criou-me uma espécie de desconfiança em relação aos sentimentos das personagens. não sei se vos acontece também! desconfiança essa que foi desvanecendo ao longo do filme. acabei por gostar bastante, nomeadamente a nível fotográfico e pela forma como é filmado, com bastantes planos gerais, o que para mim é uma mais valia para deixar a "acção desenrolar naturalmente". o filme foi uma surpresa e as cenas na neve são um deleite para os olhos e para o coração.

29.3.10

a flutuar, não penso. será que sinto? não sei. penso que não penso. sinto que não sinto. vivo no refúgio da leveza. será a leveza algo intermédio? leveza essa que fiz questão de atingir. agora parece que não me chega, preciso de intensidade. não é, parece, é. vivo no (meu único) medo: que o mundo acabe amanhã para mim. assim, atropelo os "quereres" e "poderes", acabando por não fazer nada que valha verdadeiramente a pena.

mexe-me de forma inexplicável.

25.3.10

2 days in Paris

de Julie Delpy. estava com vontade de ver um filme leve e que me fizesse rir e de facto foi o que aconteceu. vi então esta comédia romântica, mas cedo percebi que há ali alguns aspectos que fogem à dita "fórmula" desse género de filmes, o que me agradou. aquele casal tem uns requintes de personalidade muito interessantes e hilariantes.

24.3.10

há coisas sobre as quais não se deve sequer falar. coisas que se podem estragar quando transformadas em palavras, de tão belas e delicadas que são. (re)aprender a sentir, (re)aprender a viver, é difícil haver algo melhor do que isto.

23.3.10

22.3.10


I am the Lizard King,
I can do anything.

elephant

de Gus Van Sant. gostei imenso do filme, principalmente pela desconstrução narrativa, tendo em conta que as personagens nos vão sendo apresentadas ao longo do filme, intercalando com momentos bastante importantes. assim, temos um pequeno puzzle, que ainda assim, a meu ver, prima pela simplicidade. além disso, é muito bem filmado; gostei particularmente do uso do foque/desfoque, bem como do uso regular de planos fixos, que na minha opinião é a melhor forma de retratar determinadas situações. é um filme muito humano e belo, apesar da tragédia que lhe está associada.

19.3.10

"Sólo porque alguien no te ame como tu quieres, no significa que no te ame com todo su ser."

- Gabriel Garcia Marquéz

18.3.10

hoje fizeste-me sentir vulgar. se há coisas que detesto, essa é uma delas. quando achamos que determinados momentos são exclusivamente nossos e descobrimos abruptamente que não o são, eventualmente chega a desilusão. será egoísta da minha parte querer algo novo? não quero ser a única, só quero ser especial.

por momentos achei: "a primeira vez que vemos o rosto de alguém e o vemos como um rosto próximo, cúmplice e antigo, que sucede? não sei, sei, como alguém disse, que há coisas que não se dizem que se fazem, aparecem feitas."

2|3















por mais que vos fotografe, bem ou mal, nunca é igual. sei que vou ter muitas saudades disto, estes (já) dois anos mudaram muito a minha vida.

16.3.10

feeling higher

pois é, Sonic Youth tem mesmo sido a minha banda sonora do dia-a-dia.

15.3.10

I felt you in my legs before I even met you
And when I layed beside you for the first time
I told you
I feel you in my heart, and I don't even know you





(vi no blogue /snortcorn e não resisti em publicar também!)

14.3.10

a serious man

de Joel e Ethan Coen. posso dizer que estes irmãos já nos habituaram a filmes com grande qualidade e penso que também o posso dizer a todos os níveis. quanto a este em particular, gostei, está lá o humor negro e os temas improváveis que nos conduzem a determinadas conclusões. no entanto, depois de ver um Burn After Reading, é-me difícil gostar de ambos de igual modo. suponho que tenha a ver com o tipo de abordagem que é feita, é provável que me tenha identificado menos com este. ainda assim, não desilude.
good morning indian country,
wake up and shine!

10.3.10

juno

de Jason Reitman. este filme dividiu-me, mesmo antes de o ver. tinha curiosidade, pois muita gente me tinha passado boas impressões; por outro lado pensei "mais um blockbuster!". na minha perspectiva tem um bom argumento, com uma abordagem peculiar do já normal "engravidar na adolescência". a personagem de Juno está muito bem trabalhada, cheia de sarcasmo e de deixas no timming certo. ficarei atenta ao percurso de Diablo Cody. a estrutura do filme é muito básica e igual a tantos outros, penso que o que há de especial é mesmo o que referi anteriormente.

the straight story

de David Lynch. para quem conhece minimamente o trabalho dele, este é sem dúvida um registo diferente! no entanto, não deixa de ser interessante. não é um filme fantástico, já muita coisa foi feita neste sentido; no entanto, é surpreendente ver um realizador como Lynch desenvolver uma história tão simples (e quase lírica) como esta. gostei muito da história, deu-me aquelas sensações de "querer é poder", "nunca é tarde" e "a vida é uma aventura". é impossível, quanto a mim, não sentir um carinho especial pelo Sr.Straight :)

estive a rever o Control e deu-me para rever este senhor! uma das minhas favoritas :)

8.3.10

we don't live here anymore

de John Curran. vi este filme porque saiu no Público e pelas duas actrizes (Naomi Watts e Laura Dern), gosto muito delas. o filme não é mau e representou para mim a exploração de alguns momentos no adultério - momentos sobre os quais não tinha pensado antes. no entanto, também não é um filme bom. para já, o Mark Ruffalo não me consegue agradar de maneira alguma, seja em que filme for (e já vi alguns com ele). depois, penso que os diálogos podiam ir mais longe, bem como a intensidade dos personagens.

7.3.10

alice in wonderland

de Tim Burton. já estava na expectativa desde o Verão do ano passado, muito provavelmente. fui ver hoje e quanto a mim, valeu a pena a longa "espera". o filme está muito bem feito tecnicamente (salvo raras excepções, em que certas animações não funcionavam da forma mais natural). mas o mais importante para mim foi revisitar a minha história predilecta de infância, que vi vezes sem conta em VHS. a história não está exactamente igual, há coisas que não me lembro de existirem, enquanto há outras que faltam, recorrendo às minhas memórias. ainda assim, não sendo uma colagem, cada novo espaço no filme me entusiasmou. fiquei apenas desiludida com a música dos créditos, não podia ter sido pior escolhida! gostei muito da interpretação dos actores, não deve ser nada fácil para eles interpretar uma personagem que é "gerada virtualmente".

e hoje é noite de Óscares. não houve um único ano em que visse a cerimónia do início ao fim e não me parece que seja desta vez. ainda assim, apesar do mérito que Avatar tem, só espero que não ganhe uma mão cheia de prémios, visto que há outros filmes com muita qualidade e que não devem ser esquecidos.

(é provável que já o tenha posto aqui, mas nunca é demais quando a música nos move.)

fantasporto: 06.03

No Love Juice – Tajiri Yuji

Sex Friend Nurezakari – Sakamoto Rei

dois exemplos do retro pink cinema, o cinema transgressor nipónico. basicamente são ambos uma trashalhada erótica, mas que proporciona também bons momentos de humor. para mim, foi uma óptima forma de terminar a minha participação no festival. foi a primeira vez que lá fui, os outros anos passou-me um pouco ao lado; a partir de agora, espero ir sempre!

5.3.10

a varanda




é difícil explicar o que se sente nesta varanda | para mim, é uma varanda feita de duas pessoas | uma varanda com uma vista na qual se encontra sempre algo de novo para olhar | algo de novo para sentir | varanda de poesia, à qual quero sempre voltar |
Every time you look my way
You shine a light in what you say
Every time you look my way
You talk a rhyme called purple haze

4.3.10

por cima do ombro




Lisboa | estação baixa/chiado

fantasporto: 03.03

Fish Tank - Andrea Arnold
antes de ir ver o filme, alguém me disse: "vai ser um dramalhão britânico!". e sim, o filme é um drama, que retrata a vida nos subúrbios, principalmente de Mia e da sua família. mas o que me agradou mais no filme vai precisamente de encontro a esse aspecto: apesar de ser um drama, a sua crueza e verdade (bem sei que falar de verdade em Cinema não é propriamente simples. mas não vamos entrar por aí!) não nos dá espaço mental para sentir alguma coisa que seja próxima de pena ou compaixão. mais, o filme dá ainda espaço para rir, no meio de situações tão pesadas do ponto de vista psicológico.

2.3.10

fantasporto: 01.03

Hierro - Gabe Ibáñez
achei a fotografia deste filme bastante perto do brilhante. as dimensões psicológicas criadas tornaram-se extremamente belas, mesmo com o terror que lhe estava associado. o filme peca pelos clichés sonoros, que por não serem novidade, já não fizeram os espectadores saltar da cadeira. não me agradou também a dinâmica do filme, houve alturas em que senti uma certa latência. as cenas finais eram também dispensáveis, pelo motivo de que não acrescentaram nada de novo ao que já todos tinham percebido. nota-se um acrescento dramático para-o-americanizado, principalmente através da banda sonora. ainda assim, apesar dos aspectos positivos e negativos, ficou-me no olho aquelas imagens, muitas delas de uma beleza incrível. possui também uma boa história, que quanto a mim traz alguns apontamentos que nunca tinha visto/imaginado antes.

Hiroshima Mon Amour - Alain Resnais. foi a segunda vez que a vi e desta feita em ecrã, o que é muuuuito melhor. da primeira vez que o vi (talvez por ter sido quase por obrigação), não lhe dei o merecido valor, chegou a entediar-me. desta vez foi agradável sentir toda aquela poesia e principalmente, chegar ao filme. para quem viu o filme, devo dizer que, ainda assim, a minha parte predilecta é a inicial, em que surgem várias imagens da catástrofe que ocorreu em Hiroshima: as palavras proferidas, em conjunto com os fotogramas, conseguiram um efeito muito intenso (e raro) em mim. compreendi também que o meu nível de alcance das cenas estava bem mais à frente (talvez seja isto a maturidade, não sei) e é sem dúvida gratificante perceber isso. quanto a mim, um filme obrigatório por quem se interessa pela História do Cinema. no entanto, tenho dois reparos a fazer: um é a dobragem, que torna certas reacções bastante forçadas; outro é a duração de certas cenas - há alturas em que me parece desnecessário (e até inglório) tanto diálogo, que muitas vezes acaba por voltar ao ponto inicial. ainda assim, a não perder mesmo!

1.3.10

the hangover


de Todd Phillips. já há algum tempo que não via um filme tão comercial como este. cheguei até a sentir relutância em colocar algo sobre o mesmo aqui, mas cheguei à conclusão que bons ou maus, comerciais ou não, é importante ver para depois criticar. e este vi simplesmente porque me disseram que era muito divertido. a nível técnico nem vou comentar, é igual aos milhares que já passaram milhares de vezes na televisão, especialmente ao sábado/domingo à tarde. mas a verdade é que dei por mim a rir do início ao final do filme, e isso por si só já é alguma coisa. diálogos, personagens e situações hilariantes!

mysterious skin


de Gregg Araki. já o vi ontem, mas está a ser difícil chegar a uma conclusão! o que chamou mais a atenção foi o enredo que se criou entre os personagens do filme, pelos mais variados sentimentos; achei importante sentir-me incomodada com certas cenas, significa que "chegou lá"; é assim que a realidade é e penso que nesse aspecto, correspondeu. no entanto, é do tipo de filme que pela forma como é filmado, interpretado, etc, me passa um pouco ao lado.