23.12.09

pois é

não me cheira a Natal. é uma verdade que ao longo dos anos tenho perdido cada vez mais o interesse, mas agora cheguei à "fase terminal" de desinteresse, penso eu.
não queria mesmo receber presentes e não é por uma questão de ser "boa samaritana" solidária, cheia de boas intenções e com pena dos desfavorecidos. na realidade, a questão é que tenho tudo o que preciso para sobreviver. vou usar a palavra que tanto se usa: consumo. parece que custa a muita gente encarar esta situação, que se está a tornar um exagero desmedido.
dou por mim a recordar com carinho os Natais da minha infância, feliz e sem preocupações, ansiosa pela hora de abrir os presentes. hoje, estranhamente, penso nos filhos que eventualmente terei e no medo que eles sejam hi-tech. isto porque os miúdos de hoje parecem nascer com um computador no colo e um telemóvel 3G na mão. será egoísta da minha parte não querer que os meus filhos sejam assim? será egoísta privá-los desse caminho? talvez seja, talvez os esteja a criar à minha imagem; não será inevitável isso acontecer? imagino-me com eles a descobrir a Natureza e as pequenas (e portanto, mais importantes) coisas da vida. defendo que os miúdos de hoje estarão na sua maioria deturpados, muito pela culpa deste exagero tecnológico em tenra idade. poderei ser retrógrada, mas a verdade é que nenhum aparelho electrónico ensina a beleza da vida a ninguém.

sinto-me ligeiramente idiota por expor estas coisas aqui, mas dá-me gosto partilhar o que reflicto a caminho de casa.

4 comentários:

Sandy disse...

Concordo contigo. E se querer que um filho meu brinque na relva, fique sujo de terra e chegue suado de tanto brincar, então sim também eu sou retrógrada. Para tudo há limite, vai ter computador sim mas também vai saber apreciar as coisas fora de casa :)

Renata A. disse...

pensei algumas vezes nisso já. Pensei em poupa-los de conhecer outras coisas que os fizessem esquecer de "ter" infância mas seria egoísmo da minha parte ter vivido tudo e entregar a eles mastigado.

inês chaplin disse...

compreendo perfeitamente esse teu ponto de vista. sinto o mesmo!

DANiela disse...

ainda hoje olhei para a criança mais nova da família, com 3 anos, e vi que tinha um telemovel antigo, que se tinha estragado, entalado naquele bolso pequenino. o pensamento que eu tive foi semelhante ao que esta aqui escrito, realmente...
tirando isso, partilho também contigo essa falta de cheirinho a natal desde ah 2 anos e a "fase terminal de desinteresse" que se instalou em mim desde que dezembro começou. quando eu digo que não gosto do natal, estou a mentir, eu gosto do natal, sim, mas não desta forma como se tem passado todos os anos, ano após ano. aumentado o consumismo e a má lingua para as prendas que não nos agradam, deixando pra trás os valores e a solidariedade.
natal é quando o homem quer, e mais nada.