22.7.09

indistinto

cheguei a gostar da incerteza, da imprevisibilidade da nossa relação. bem sei que não começou da forma mais convencional (se calhar foi por isso que me encantei tanto), o rumo foi estranho, mas natural. ao início tudo era simples e durante muito tempo assim o foi. mas as pessoas começam a precisar mais umas das outras e o que tu tens é medo. não te critico, bem sei que passaste por uma experiência de uma vida com outra pessoa, mas revolta-me que abdiques da felicidade por causa disso. não acredito que o sexo te preencha, precisas mais do que isso. dizes que me queres deixar por gostares de mim, que preferes estar com alguém que não gostes. eu até compreendo, quantas vezes tive medo de sofrer? mas será que vale a pena viver a vida a meio-termo? contigo, aprendi que não. sofri quando não podias estar comigo, quando não nos víamos durante uma semana. mas quando sabia que te ia ver e tocar, tudo isso ficava para trás. descobri coisas dentro de mim que desconhecia, aprendi, ri, cresci contigo. talvez seja masoquista, mas prefiro mais um dia contigo e sofrer a dobrar depois. sobre a hipótese de ires para o estrangeiro, não dormi a noite toda a pensar nisso, até que surgiu a ideia de ir contigo. sim, largaria tudo.. duvidas? nem que tivesse que andar a lavar escadas de joelhos, se essa fosse a condição de ganhar dinheiro e poder continuar ao teu lado, construir uma vida fora daqui. louca? talvez um pouco. aprendi a deixar-me guiar pelo que sinto, finalmente. já racionalizei demasiado nos últimos anos, penso que de algum modo me libertaste. não me arrependo um segundo sequer deste meio ano, venham mais. custa-me acreditar que tenhas terminado comigo. aceito, se for o que te faz mais feliz. mas quando olhei no fundo dos teus olhos senti que não me querias deixar, que te estavas a obrigar a isso. que achas injusto eu me empenhar mais na nossa relação e a ver de maneira diferente. já me importei com isso, agora não. adaptei-me a ti e não queria que isto acontecesse. quando te abracei, nesse mesmo dia, soube que aquele abraço em silêncio foi de tudo menos de amizade. foi de perda. quando tentei ir embora, não querias que fosse. pergunto-me, estarão duas consciências em ti? não sei porque me beijaste quando foste embora, fiquei com a sensação que isto não acabou. dei-te o abraço mais longo da minha vida antes de ir embora e se pudesse fazia amor contigo ali mesmo, na estação de metro. sei que te vou ver daqui a uma semana. não sei se devo esperar algo de ti ou se foi o que sentiste nos ultimos dias. porque não foste capaz de dizer que sim, quando te olhei fixamente e te perguntei se tinhas a certeza. vi o teu sorriso de ternura, a surgir timida e envergonhadamente nos teus lábios. meu eterno amante..

14 comentários:

DANiela disse...

fodasse.
QUE TEXTO LINDOO!

DANiela disse...

"e o que tu tens é medo. não te critico, bem sei que passaste por uma experiência de uma vida com outra pessoa, mas revolta-me que abdiques da felicidade por causa disso.", PUMBA

"dizes que me queres deixar por gostares de mim, que preferes estar com alguém que não gostes. eu até compreendo, quantas vezes tive medo de sofrer? mas será que vale a pena viver a vida a meio-termo? contigo, aprendi que não.", PUMBA

"porque não foste capaz de dizer que sim, quando te olhei fixamente e te perguntei se tinhas a certeza. vi o teu sorriso de ternura, a surgir timida e envergonhadamente nos teus lábios. meu eterno amante.. ", e PUMBA!

acho que tá tudo dito.
também abdico mais facilmente da minha felicidade pra "abrir caminho" a quem amo. quando me apaixava por alguém pensava sempre: "voa e vai pra longe antes que seja tarde demais..." até à um tempo isto foi assim. nos amores de hoje já não deixo fugir, sou eu que corro atrás.
como conheço e como me emocionam esses "sorrisos timidos", são tão bons!

Inês disse...

que texto bonito, uau! :)

Filósofo de Merda disse...

foi uma linda história de amor. gostava de a ter conhecido e visto a acontecer.


pareces bastante sóbria em relação a tudo isto , estás?

Mariana disse...

Texto incrível, cheio de sentimentos e só tu podes entende-los bem.

"cheguei a gostar da incerteza, da imprevisibilidade da nossa relação. bem sei que não começou da forma mais convencional (se calhar foi por isso que me encantei tanto), o rumo foi estranho, mas natural. ao início tudo era simples e durante muito tempo assim o foi."

Por vezes a incerteza e a imprevisibilidade sabe bem e identifico-me neste bocadinho de texto.

Beijinho*

mina wolf disse...

escreveste muito bem aquilo que sentes, e parece-me que essa história ainda não acabou.
e acho que tens a maior coragem em partilhar assim o que sentes, eu não sou capaz de o fazer nem para mim, quanto mais.

much lovve and much luck to you

xx

Marta Monteiro disse...

Em algumas partes parece que, ao fechar os olhos, estava lá. Talvez tenha passado por algo do género, mas essa maneira que usaste para descrever a história é bastante forte, sem dúvida.

*

Eurico disse...

sim vemo-nos por paredes!
leva-me o cdsinho com as filmagens ^^
eheh*

su iogurte disse...

Querida rita está tão bonito , queria destacar algo mas adorei tudo !

Rafael Côrte-Real disse...

http://opensamentocronico.blogspot.com

Espaço dedicado essencialmente à política e à cultura.

joanicamour disse...

sureeee!! o blow up está na minha lista de eleição <3
trouxe um poster de barcelona, weeee

Carolina disse...

não sei o que dizer deste texto. quando li o comentário que me fizeste em relação ao "sufoco" pensei em 1001 motivos, mas quando li isto fiquei exclarecida.
não consigo sequer imaginar como estás. mas tenho a certeza que vais ultrapassar este degrau, tal como sempre se ultrapassa. admiro a tua força, ape. gostava de ser como tu :)

LH disse...

Sabes o que faz toda a diferença neste post?
Apenas os teus sentimentos tiveram espaço para se expressar! E como isso é belo!

A outra disse...

Rita, sem palavras. disseste tudo, como te percebi.
força, mais não posso dizer
beijoca gigante. Sara